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Ministério dos Livros

Um blog sobre livros e seus derivados

11
Abr18

Leituras - "Fogo e Fúria" de Michael Wolff

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Estamos algures em 2035, o meu filho, recentemente chegado à maioridade, encontra nas prateleiras da biblioteca lá de casa um que dá pelo nome de “Fogo e Fúria” e começa a folheá-lo e a ler algumas partes. Passado algum tempo abeira-se da minha pessoa com um ar divertido e comenta o grau de imaginação do autor para conseguir colocar no papel uma história estapafúrdia sobre o presidente do, à data, país mais poderoso do mundo, onde este aparece retratado como um perfeito idiota, desequilibrado, mimado e imprevisível. Eu rio-me, tento explicar-lhe que o livro não é de ficção, mas ele devolve-me a risada e não acredita.

Ao acabar de ler o livro “Fogo e Fúria” de Michael Wolff ocorreu-se-me a possibilidade de acontecer o momento acima descrito porque é efetivamente possível.

A livro podia ser uma excelente obra cómico-dramática se não soubéssemos que será, acredito na sua maioria, verdadeira. Todos os contornos da história, a começar pela própria eleição de Donald Trump para presidente dos EUA, são quase absurdos, ainda que infelizmente verdadeiros.

Pensar que temos, e vamos ter, como presidente do país mais poderoso do mundo um individuo com as caraterísticas que o autor aqui apresenta é praticamente imaginar que vivemos uma história de ficção. Como é que é possível? Trump é um personagem, coisa que não seria um problema se ele não fosse presidente.

Os estragos que este homem pode fazer podem nos afetar a todos, por isso, se pensarmos bem no tema, a parte mais divertida do livro pode tornar-se trágica. Trump é um idiota sentado na cadeira mais poderosa do mundo, rodeado de lacaios e de pessoas, muitas, que não serão provavelmente as mais inteligentes e capazes. Sem ser alarmista tem tudo para correr mal.

Ainda que uma parte do livro não seja desconhecida na maioria que foi acompanhando o processo de eleição e o primeiro ano do mandato de Trump, existe todo um outro detalhe sobre momento concretos, decisões tomadas, influências nas decisões que são desconhecidas e que nos conseguem deixar de queixo caído. Há partes do livro onde parece existir alguma falta de ligação entre momentos e contextos, mas acredito que isso se possa dever ao facto de o autor não ter conseguido construir a 100% o puzzle porque certamente houve informação que lhe escapou, ou não teve acesso.

Não seria necessário que mais de 50% do livro fosse totalmente exato e verdadeiro para ser preocupante e profundamente perturbador. Repito a pergunta: como é que é (foi) possível?

Recomendo vivamente a leitura deste livro e desafio quem o faça a encontrar paralelo entre esta realidade e a realidade que hoje se vive em muitas empresas: pessoas que são eleitas/nomeadas/promovidas para cargos, com um discurso populista e lambe-botas, sem competência e/ou vontade de trabalhar e sem preocupação com os outros e com uma necessidade de bajulação permanente. Normalmente dá mau resultado.

Excelente opção de leitura, e não é preciso gostar de política.

27
Mar18

Leituras - "Fogo e Fúria" de Michael Wolff

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Estou sensivelmente a meio do livro “Fogo e Fúria” e cada página que leio fico com a sensação que caso fosse uma obra de ficção estaríamos perante um autor de grande imaginação. Não estamos. Pelos vistos é mesmo tudo (ou quase pelo menos) verdade...

Há passagens que são dignas de pura comédia. Mesmo sem ter terminado não êxito a escrever: leiam este livro.

15
Mar18

Leituras - “Um cavalo entra num bar” de David Grossman

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 Está concluído o livro “Um cavalo entra num bar” de David Grossman.

O livro foi o vencedor do Man Booker Prize Internnacional de 2017. Essa foi aliás uma das duas razões para ter decidido ler o livro, mais ou menos um selo de garantia de qualidade. A outro foi a ideia de base do livro: uma noite de stand up que deriva entre a comédia e a tragédia. Gostei da ideia.

Lido o livro, a minha primeira impressão é que não captei toda a sua essência, tudo aquilo que o autor quis passar. Acredito que haja uma parte que é muito particular, “muito israelita” se quiserem, mas há também toda uma dimensão do personagem central, com muitas camadas que não é fácil (pelo menos para mim) decifrar. O personagem central transforma uma noite de stand up numa sessão em que se despe psicologicamente perante o público falando dos seus traumas e fantasmas do passado. Tudo isto relatado pelo narrador, um amigo de infância que o personagem central convoca para assistir ao espetáculo apesar de não se verem há mais de quarenta anos.

Antes da leitura do livro confesso que não conhecia muito do autor, no entanto, logo após terminar o livro, fui fazer uma pesquisa e encontrei um facto que ajuda a explicar uma parte da história e a forma como é contada: o autor perdeu um filho em 2006 na guerra Israel-libanesa. Há uma parte negra do livro que vem daqui, certamente.

O livro é bom, bem escrito, com um toque próprio do autor, disso não há dúvidas. E afirmar que o livro é bom não tem nada a ver com o facto de ter ganho um prémio. Não seria o primeiro livro que eu não gostaria apesar de ter ganho um prémio (às vezes parece que existe a ideia de que não de pode não gostar de um livro porque ele ganhou o prémio X ou Y).

Como disse Carlos Vaz Marques na apresentação do livro no “Livro do Dia” da TSF a história acaba por nos levar a perceber que a tragédia e o humor são parentes mais próximos do que por vezes nos parece.

Sem ser para mim um livro que deixa marcas é na mesma um livro cuja leitura recomendo.

Para mais informação sobre o livro deixo quatro links, para um excerto, para uma entrevista com o autor, uma crítica e ainda a apresentação no “Livro do Dia”.

Crítica no “Público”

Entrevista com o autor no “Público”

“Livro do Dia” da TSF

Excerto do Livro

 

Sinopse

Será que uma piada é só uma piada?
O premiado e internacionalmente aclamado autor de Até ao Fim da Terra apresenta-nos agora um romance sobre a vida de um cómico de stand-up, revelada no decorrer da performance de uma noite. Na dança entre humorista e público, com farpas voando de um lado para o outro, uma história mais profunda vai tomando forma - uma história que irá alterar a vida de muitos dos presentes.

08
Mar18

Histórias com Livros - O tema do livro favorito "O Mundo de Sofia"

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(capa original de 1995) 

 

Já por diversas ocasiões, e por motivos vários, tive de responder à questão “Qual é o seu livro favorito?” e em todas as ocasiões tive o mesmo problema: Não sei exatamente qual é a resposta, porque não tenho “um” livro favorito.

Uma resposta fácil seria, como fazia um conceituado professor que tive na faculdade, “o próximo”, o próximo será sempre o melhor”.

Se fosse um político já teria criado uma resposta tipo para ter sempre na ponta da língua, mas como não sou, dei sempre por mim sem nenhuma resposta concreta, ou, mais frequentemente ainda, com várias possíveis.

Apesar destas dificuldades, de todas as vezes que tive mesmo de responder, acabei por dar sempre o mesmo título: “O Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder.

Confesso que se alguma vez me perguntaram o porquê desta escolha, não me lembro, mas na realidade acho (é a minha opinião, vale o que vale) que a explicação é mais interessante do que a escolha em si.

O livro foi lançado originalmente em 1991 na Noruega e em Portugal quatro anos depois em 1995. Eu li-o em 1996 numa altura em que as minhas leituras eram mais terra-a-terra, ou maioritariamente decorrentes de obrigações escolares.

O livro é muito bom, sem dúvida, mas na prática que o tornou especial, foi o condão de abrir os meus horizontes para um mundo até aí bastante adormecido. Lembro-me perfeitamente do efeito que o livro teve, pela forma de escrita, pela história em si e pelo que permitiu aprender sobre filosofia e sobre a “arte de pensar”. Foi o primeiro livro que verdadeiramente me agarrou e que, hoje percebo, a uma distância de mais de duas décadas, teve o condão de dar um empurrão decisivo na minha paixão pelos livros. Por isso, se tiver de escolher um livro, pelo caminho que desbravou, “O Mundo de Sofia” será sempre a minha escolha. Por ele e por todos os que, por sua causa, vieram depois.

 

 

07
Mar18

Leituras - “Um cavalo entra num bar” de David Grossman

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Depois de “O Anjo Caído”, e apenas por mera casualidade vou continuar por terras israelitas com o livro “Um cavalo entra num bar” de David Grossman. Isto porque a história decorre numa única noite, num bar de uma cidade israelita de nome Natania.

O livro foi o vencedor do Man Booker Prize International de 2017. Estou apenas no início mas o livro promete.

06
Mar18

Leituras - "O Anjo Caído" de Daniel Silva

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Terminei no Domingo o livro “O Anjo Caído” de Daniel Silva.

Para mim ler um livro de Daniel Silva é mais ou menos o equivalente a regressar ao restaurante onde vamos com frequência porque já sabemos, à partida, que a comida é boa e não desilude.

Na capa do livro está uma citação atribuída ao presidente americano Bill Clinton que refere que Gabriel Allon é a sua personagem ficcional favorita. Eu nunca tinha feito esse exercício, mas a verdade é que sou capaz de partilhar dessa ideia. É um personagem que tem muito de agente secreto / espião / assassino, mas com uma forte componente de “pessoa normal”.

Outro aspeto curioso dos livros de Daniel Silva que tem como personagem Gabriel Allon é que eu não consigo hierarquizar por ordem de preferência, ou qualidade, os livros que já li (12 no total). Nunca tive a sensação de ter terminado um livro e ter pensado “este é mais fraco”. Existe um padrão de qualidade admirável que na prática é também responsável por eu regressar a estes livros sempre que não consigo escolher o que vou ler a seguir.

Sobre o livro em si, dizer apenas que é uma história que envolver o Vaticano, o tráfico de obras de arte, uma possível aniquilação de Israel e terroristas ligados ao Irão. De resto o meu é ler o livro. Vale muito a penas e vale sempre a pena.

15
Fev18

Leituras - "Não se deixe enganar"

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Leitura concluída. Este não foi um livro (tanto quanto sei) muito divulgado. Lembro-me de o ter visto nos escaparates da FNAC uma ou duas vezes, mas confessa que nessa altura não me chamou muito a atenção, isto apesar do título em letras garrafais: “Não se deixe enganar”.

Foi já no final do ano que prestei a devida atenção ao livro depois do “Expresso” o ter considerado um dos livros do ano. Li o resumo e fiquei com curiosidade, até porque o tema interessa de facto: é uma espécie de manual de sobrevivência para a informação que hoje circula, onde tudo pode ser verdade e tudo pode ser mentira sem qua haja grande noção sobre o que é o quê, e, por conseguisse, é muito mais fácil cair em esparrelas.

Hoje em dia a informação que circula tem muito pouca fiabilidade e aquilo que mais transparece sempre é que foi criada por alguém que tem alguma coisa para vender. Também por isso é possível ler que o produto X é fantástico para a saúde de manhã e de tarde, noutra notícia é potenciador de cancro. Confesso que nos dias que correm é uma das minhas maiores dificuldades, separar o trigo do joio, saber o que é verdade e o que não é.

Este livro não é um milagre que me vai permitir a partir de agora saber sempre que me estão a tentar enganar, mas dá dicas muito úteis para o dia-a-dia e desmistifica um conjunto de realidades que aos poucos vão ficando como dados adquiridos mas que afinal não são bem assim. As dietas milagrosas, as medicinas alternativas, as pseudociências, há informação útil sobre tudo um pouco.

O livro é assinado por vários autores sendo todos parte da “Comunidade Céptica Portuguesa” - COMCEPT e acima de tudo a ideia com que fico é que não querem vender nada de concreto, pelo que, acho que vale a pena seguir muitos dos conselhos que dão ao leitor, sendo o principal o que diz: não acredite em nada sem confirmar primeiro, inclusive aquilo que escrevem no livro. Parece senso comum, mas esse é cada vez mais um ponto caído em desuso.

Leitura altamente recomendável no mundo cão em que hoje vivemos.

 

Sinopse

Em 1969, o mundo assistiu com emoção à chegada do homem à Lua através da maravilhosa «caixa mágica». Hoje, ao ligarmos um televisor, percebemos que, depois de um gigantesco salto, demos um valente trambolhão. Na era da pós-verdade e dos factos alternativos, todos os dias parecem 1 de Abril. Programas matinais promovem adivinhos e feitiços contra o mau-olhado, documentários legítimos misturam-se com outros onde aprendemos que as pirâmides foram construídas por extraterrestres e nos intervalos publicitários brindam-nos com alegações de saúde mirabolantes.

«Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias.» A frase é do grande cientista - e céptico - Carl Sagan e conduz ao objetivo deste livro: promover o uso do pensamento crítico e racional, com apoio no método científico.

- Os alimentos ditos naturais, que também contêm químicos, são mais seguros?

- Será que o destino está escrito nas estrelas e nas cartas de tarot?

- Devemos ter medo das vacinas e proibir os organismos geneticamente modificados?

- Será que no antigo Egipto não existia já tecnologia para construir as pirâmides?

 

08
Fev18

Histórias com Livros - "Ensaio Sobre a Cegueira"

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Durante muito tempo para mim José Saramago foi sinónimo de “Memorial do Convento”, livro que eu nunca li na totalidade, mas que nessa altura consegui detestar.

Muitos anos mais tarde, e depois de grande insistência de uma colega de trabalho, e mesmo com muitas reticências, lá acedi a ler o “Ensaio Sobre a Cegueira”. Foi das primeiras vezes que li um livro porque alguém me recomendou, achava que porque alguém gostou isso não quer dizer que eu também vá gostar.

Aquilo que aconteceu foi a passagem de um nunca mais, detesto, não volto a ler para um brilhante, soberbo, este senhor é mesmo muito bom.

O “Ensaio sobre a Cegueira” entrou (e ainda está) no top dos meus livros favoritos. É efetivamente um livro brilhante e poderoso. Uma obra que marca quem a lê.

Uma das formas de uma pessoa saber o quanto gostou de um livro é perceber que, vários anos depois, lembra-se perfeitamente da história e facilmente consegue revisitar parte dos livros com grande detalhe. Isso acontece-me com este livro.

Alguns anos depois vi também o filme, e, como acontece em todos os grandes livros, o filme, não estando à altura, retrata bem o tema. A curiosidade maior são as passagens mais fortes do livro que em palavras são muito mais fortes do que em imagens, algo que não deixa de ser curioso.

Depois desde li outros livros de Saramago. De todos o que mais se aproxima em qualidade do “Ensaio sobre a Cegueira” é, na minha opinião, “As Intermitências da Morte”, livro que também vale muito a pena ler.

Em resumo. Gostando-se ou não de Saramago, o “Ensaio sobre a Cegueira é um livro obrigatório. E eu aposto as minhas fichas em como não desilude ninguém.

05
Fev18

Leituras - "Não se deixe enganar"

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“Não se deixe enganar” de Diana Barbosa, Leonor Abrantes, Marco Filipe e João Lourenço Monteiro da Comunidade Céptica Portuguesa (COMCEPT). Não era para ser esta a minha próxima leitura, mas na semana passada comprei o livro a bom preço e no fim de semana fui lendo mais uma página, mais outra e pronto, agora vai até ao fim. Muito interessante para já, posso dizer.

01
Fev18

Leituras - “Lincoln no Bardo” de George Saunders

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Terminei ontem o livro “Lincoln no Bardo” de George Saunders.

A primeira coisa que devo dizer é que não é um livro fácil. É um livro diferente de tudo o que já li e é também um livro onde se aplica a máxima “primeiro estranha-se depois entranha-se”.

Uma das coisas que salta imediatamente à vista quando começamos a ler o livro é a criatividade e imaginação do autor. Complexo, mas extraordinário, no sentido em que é inesperado e original.

Não terá sido certamente por acaso que o livro ganhou o Man Booker Prize de 2017, e esse (o prémio) foi também o principal motivo que me levou a ler o livro. Já sabia que o livro tinha contornos diferente e que o tema era também ele sui generis: a morte de um filho pequeno de Abraham Lincoln e a sua passagem pelo bardo (no budismo tibetano, estado intermédio da existência, entre a morte e o renascimento) a ligação entre o pai vivo e o filho já morto, e todo a história contada por múltiplas vozes, dos mortos do cemitério numa única noite.

Efetivamente não vale a pena contar muito da história porque apenas lendo conseguimos perceber a sua dimensão, sendo que eu tenho noção que muita coisa certamente me escapou.

É um daqueles livros que fica na memória, que não se esquece, como uma experiência nova com a qual não contávamos, mas que apreciámos bastante e que por isso deixou marca.

Por tudo isso recomendo vivamente a leitura do livro, de espirito aberto para apreciar uma experiência narrativa diferente e uma grande capacidade imaginativa para contar uma história.

 

Sinopse:

 

Lincoln no Bardo é o primeiro romance de George Saunders. Nestas páginas, o autor revela-nos o seu trabalho mais original, transcendente e comovedor. A ação desenrola-se num cemitério e, durante apenas uma noite, a história é-nos narrada por um coro de vozes, que fazem deste livro uma experiência ímpar que apenas George Saunders nos conseguiria dar. Ousado na estrutura, generoso e profundamente interessado nos sentimentos, Lincoln no Bardo é uma prova de que a ficção pode falar sobre as coisas que realmente nos interessam. Saunders inventou uma nova forma narrativa, caledoscópica e teatral, entoada ao som de diferentes vozes, de modo a fazer-nos uma pergunta profunda e intemporal: como podemos viver e amar sabendo que tudo o que amamos tem um fim?

 

Mais sobre o livro:

 

Entrevista do “Expresso”

Reportagem do “Público”

Crítica na revista “Sábado”

Livro do Dia da TSF

24
Jan18

O meu primeiro livro de "crescido" - “A Estrada do Futuro” do Bill Gates

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 A compra de livros foi uma realidade que apareceu um pouco tarde na minha vida apenas por altura do meu 12º ano. Até lá lembro-me que tinha muita banda desenhada oferecida e, para além dos livros da escola, tudo o que lia tinha origem na Biblioteca Municipal (fixa ou itinerante).

O primeiro livro “de crescido” que comprei, lembro-me perfeitamente que foi o “A Estrada do Futuro” do Bill Gates, no antigo Jumbo de Setúbal. Comprei-o com o meu dinheiro, algumas das minhas poupanças das prendas de Natal.

Não foi uma compra muito pensada, foi antes uma escolha. Bill Gates e a Microsoft estavam na berra. Tudo o que Bill Gates dizia e escrevia devia ser tido em conta. Na prática aplicava-se a ele, à data, a frase que consta na biografia de Elon Musk “o génio que está a inventar o nosso futuro”. Para um tipo com 16 anos houve muita coisa do livro que me pareceu estranha e futurista, mas lembro-me da satisfação que me deu aquela leitura. E teve a grande mais valia de potenciar o teu interesse pela leitura a curiosidade sobre temas que à partida saem fora da minha área de conforto. Ainda hoje tenho, naturalmente, esse livro e um dia destes dei por mim a pensar que tenho de o reler. Um dia destes.

23
Jan18

Leituras para 2018 - o desafio

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O ano passado (2017) consegui terminar com 16 livros lidos, o que, para muito gente pode parecer quase nada, mas para mim foi um desafio.

Este ano, com uma nova organização diária implementada que me deixa mais algum tempo livre para a leitura, gostava de ir um pouco mais além, por isso, para 2018 o desfio é conseguir ler 20 livros, algo como 1,6 livros por mês. Se o conseguir ficarei deveras satisfeito. A maior dificuldade vai ser selecionar os livros a ler. O tempo é pouco e as prateleiras lá de casa tem, felizmente, muitas opções.

22
Jan18

Leituras - "Prisioneiros da Geografia" de Tim Marshall

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Está concluído o primeiro livro de 2018: “Prisioneiros da Geografia”.

Como já referi aqui anteriormente os temas relacionadas com Política Internacional são-me muito caros e todos os anos tento dedicar algumas das minhas leituras a este tema.

Antes de comprar este livro já o tinha folheado por alto numa livraria e tinha ficado curioso com a simplicidade e clareza de escrita do autor.

Aquilo que posso dizer é que o livro é muito bom e percebe-se a sua escolha para integrar o lote dos melhores livros de 2017. É um verdadeiro “mini-tratado” de Relações Internacionais, uma excelente introdução à geopolítica, indispensável a quem gosta se perceber o mundo que nos rodeia e, mais ainda o porquê de determinadas decisões dos estados.

O autor faz questão de dizer que as Relações Internacionais não se resumem à geografia, mas é um facto que foi desde sempre um dos seus fatores mais condicionadores e ainda hoje, com o cada vez maior predomínio da tecnologia, e da sua capacidade para ultrapassar obstáculos geográficos, continua a moldar muito do cenário internacional.

O autor percorre todo o globo elaborando sobre as suas condicionantes geográficas, conflitos e potenciais conflitos. Da Rússia ao Ártico, passado pela China, EUA.

Leitura obrigatória para quem gosta de perceber o que está por trás das notícias que todos os dias lemos nos jornais. Cinco estrelas. É um daqueles livros que dá gosto terminar porque fica o gosto de ter aprendido alguma coisa de útil.

Sinopse

Todos os líderes mundiais enfrentam limitações geográficas. As suas decisões são condicionadas por montanhas, rios, mares e betão. Para compreender o que abala o mundo, é necessário possuir conhecimento das ideias, movimentos e povos - mas sem um conhecimento sólido de geografia, nunca conseguiremos abarcar a totalidade dos eventos. Se alguma vez se questionou sobre a razão de Putin ter uma obsessão pela Crimeia, de a paz parecer impossível no Médio Oriente, de os EUA entrarem em tantos conflitos armados ou de o poder da China continuar a crescer em todo o mundo, irá encontrar essas e muitas outras respostas neste livro.

Em dez capítulos que cobrem Rússia, China, EUA, América Latina, Médio Oriente, África, Índia e Paquistão, Europa, Japão, Coreias e o Ártico, o autor faz uso de mapas, ensaios e da sua longa experiência de viagens pelo globo para oferecer uma perspetiva do passado, presente e futuro, ajudando-nos a descobrir como a geografia é um fator tão determinante para a história do mundo.

Para os interessados, recomendo também o programa sobre o livro no “Livro do Dia da TSF”.

17
Jan18

Revisitar o "Running - muito mais do que correr"

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Para além da leitura do momento estou a revisitar o livro “Running - muito mais do que correr" de José Soares, que foi uma das minhas leituras de 2017. Motivo? Voltei a correr.

Sempre corri desde que me lembro e é algo de que verdadeiramente gosto e que adicionalmente me faz muito bem, quer física quer psicologicamente. Do ponto de vista físico é muito importante porque estou com 78 kg e devia ter menos 8 ou 9 kg. Psicologicamente porque, pelo menos para mim é dos melhores remédios para o stress.

O ano passado li o livro porque tinha intenção de recomeçar a correr com regularidade, mas isso acabou por não acontecer. Este ano meti na cabeça que tinha de ser (com o secreto objetivo de correr uma maratona no final do ano), mas com o avançar da idade dá jeito ter atenção a alguma coisas que até aqui eram negligenciadas e este livro é muito bom nesse campo. Tem muita informação útil e simples sobre tudo o que envolve a corrida, por isso achei por bem voltar a consultar alguns capítulos. Dá jeito para não fazer asneira.

15
Jan18

"Fire and Fury" em português chega em fevereiro

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Acredito que se há momento na história moderna que vai ser lembrado por muito tempo é a eleição, e consequentemente o seu desempenho, de Donald Trump como presidente dos EUA.

Ainda hoje é quase anedótico pensar em Trump como presidente e tudo à sua volta soa a falso, estranho, irreal e, diga-se, perigoso.

Já muito se escreveu sobre este tema, mas o novo livro de Michael Wolff, "Fire and Fury", parece que veio dar uma visão mais transversal sobre o tema que inclui contactos com pessoas próximas já da sua administração.

Já aqui falei no tema, no entanto, soube-se agora que a tradução em português via chegar já em fevereiro pela mão da Actual Editora, por isso será muito provavelmente uma das minhas leituras do primeiro semestre de 2018.

09
Jan18

Livros - As minhas escolhas de 2017

Bem sei que já vou com atraso em relação à maioria, mas ainda assim deixo aqui as minhas escolhas relativamente a leituras de 2017, separadas em ficção e não ficção.

Ficção

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A minha escolho vai para o livro “Estrada Subterrânea” de Colson Whitehead.

Confesso que tinha grandes expetativas em relação ao livro. Sabia que, entre outros, tinha ganho dois dos mais importantes prémios literários nos EUA: o Pulitzer Prize e o National Book Award e que figurava na longlist para o Man Booker Prize, pelo que, tinha de ter alguma coisa de especial. Adicionalmente o ex-presidente Barack Obama elegeu-o como um dos seus livros favoritos.

Como o livro só saiu em português em setembro estive várias vezes para comprar em inglês mas acabei sempre por não o fazer, por receio de dificuldades de interpretação, por isso comprei-o e comecei a ler no próprio dia em que saiu.

Não é preciso avançar muito para perceber que o livro vai ao encontro das expetativas, embora, por culpa da minha imaginação, tenha considerado uma história diferente. Está extremamente bem escrito e é muito cru em relação ao tema de fundo: a escravatura nos EUA e forma como as pessoas, escravos, senhores e pura e simplesmente cidadãos comuns lidavam com o tema, sendo que para os escravos a expressão “lidar com” não é bem a aplicável, por razões óbvias.

O livro relata a história de Cora, uma escrava que foge de uma plantação de algodão e que embarca numa viagem através da mítica “Undergroung Railroad”, que terá servido de fuga a milhares de negros durante o período do esclavagismo nos EUA.

Cora foge e atravessa vários estados americanos à procura da liberdade definitiva.

É um livro que toda a gente devia ler. Obviamente que tem um significado particular para os americanos porque relata um período negro da sua história, mas à parte disso pode ser lido por qualquer pessoa com o mesmo sentimento. É um daqueles livros que fica.

 

Não ficção

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No campo da não-ficção a minha escolha vai para “Astrofísica para Gente com Pressa” de Neil deGrasse Tyson.

Pode pensar-se à partida que é um livro para quem gosta deste tipo de temas: astronomia, astrofísica e sobre temas relacionados com o Cosmos em geral. Eu diria que não, que é um livro para toda a gente interessada, e nisso o título é efetivamente fiel ao seu conteúdo: é uma obra que permite a pessoas com pressa uma aprendizagem rápida e muito clara sobre o tema.

O autor tem o dom de simplificar para o comum mortal um tema que não é de fácil entendimento e fá-lo de uma forma clara e ao mesmo tempo divertida.

Trata-se de um livro que ainda hoje está no top do New York Times (já nem sei há quantas semanas) e que ganhou o Prémio Goodreads Choice Award 2017 - Best Science & Technology.

É uma leitura indispensável para mentes inquietas que procuram respostas sobre o universo e a nossa relação com ele. Tem muitas respostas e também bastantes perguntas.

04
Jan18

Leituras - "Prisioneiros da Geografia" de Tim Marshall

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 E a primeira leitura do ano vai para: “Prisioneiros da Geografia” de Tim Marshall.

É algo que faço questão: anualmente tento ler alguma coisa que me leve até às minhas origens em termos de formação académica. Não por qualquer tipo de obrigação, mas por puro interesse. Tenho excelentes expetativas em relação a este livro, e pelo que já tive oportunidade de ler foi para muita gente um dos livros do ano de 2017.

26
Dez17

Leituras - "Sinal de Vida" de José Rodrigues dos Santos

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Já li uma boa parte dos livros de José Rodrigues dos Santos (JRS) mas dou sempre primazia aos que tem como personagem principal Tomás Noronha. Esses li-os todos.

Confesso que os últimos dois livros do personagem – “A Chave de Salomão” e “Vaticanum” tinham-me deixado algo desiludido. O primeiro porque tem partes excessivamente teóricas sobre temas difíceis de compreender para o comum normal (muito à volta da física quântica), o segundo porque acho que lhe falta alguma ação.

Obviamente que percebo que os temas envolvidos condicionam o tipo de história que é possível criar, por isso compreendo que, mesmo obedecendo à mesma fórmula, o resultado não seja sempre igual.

Tudo isto para dizer que acabei ontem o livro “Sinal de Vida” de JRS, e, contrariamente aos últimos dois títulos indicados acima, posso dizer que gostei bastante. Está muito bem conseguido.

A história anda à volta da descoberta de um contacto extraterrestre e a identificação de um “veículo”, também extraterrestre, que se dirige para a Terra, no entanto, a base é a origem da vida, o que é vida e tudo o que sabemos e não sabemos sobre o tema, e nesse aspeto faz muito bem aquilo que os livros de JRS fazem, explica, dá informação, põe o leitor a parte de temas que de outra forma apenas em livros muito mãos maçudos poderia ficar a conhecer, tudo isto enquanto conta uma história.

O livro dá muita informação, mas deixa também muita margem ao leitor para pensar sobre o tema, e eu confesso que é um tema que me interessa, e muito.

Devo dizer que não entendo muito bem as críticas e o desdém a que JRS é sujeito, e muitas vezes não percebo se o problema é com a obra ou com o autor. Eu não sei se JRS é boa ou má pessoa, não sei se é humilde ou arrogante, o que sei é que aquilo que escreve, contrariamente ao que muitas vezes se pretende fazer crer, tem valor, e, no meu caso em particular, vai exatamente ao encontro do que eu gosto: história com informação, ou, se preferirem, ficção com informação.

Já li críticas de bradar aos céus escritas por pessoas que a única coisa que conseguem escrever é mesmo uma crítica e fico sempre a pensar: qual é o problema desta gente? Num país onde se escreve tanta porcaria, este autor consegue juntar uma investigação relevante com a capacidade de imaginar uma história para a contar. É óbvio e natural, que possa haver quem não goste, compreendo isso perfeitamente, o que não entendo é a forma como lhe são feitas as críticas.

Da minha parte não tenho nenhum problema em admitir que é dos meus autores favoritos, que aprendi, e aprendo, bastante com o que ele escreve, e, verdade seja dita, embora exista sempre muita celeuma à volta dos temas que escolhe não me recordo de ler que aquilo que escreve tem fundo de mentira.

No caso em concreto do livro “Sinal de Vida” recomendo a todos os que gostam de pensar na origem de tudo, de questionar o somos e de onde viemos, e ainda se estaremos ou não sós neste vasto universo. Como o próprio autor diz na nota final este livro completa uma trilogia iniciada com “A Formula de Deus” (o meu livro favorito de JRS) e desenvolvida com “A Chave de Salomão (um dos meus menos favoritos). Vale a pena ler.

 

Sinópse: Um observatório astronómico capta uma estranha emissão vinda do espaço na frequência dos 1,42 megahertz. Um sinal de vida. O governo americano e a ONU são imediatamente informados. Um objeto dirige-se à Terra. A NASA prepara com urgência uma missão espacial internacional para ir ao encontro da nave desconhecida. Tomás Noronha, o maior criptanalista do mundo, é recrutado para a equipa de astronautas. Começa assim a mais invulgar aventura do grande herói das letras portuguesas modernas, uma história de cortar a respiração que nos leva ao coração do maior mistério do universo. Será a vida um acidente ou resultará de um desígnio? Estaremos sós ou seremos um entre milhões de mundos habitados? A existência é um acaso ou tem um propósito?

11
Dez17

Leituras - "Origem" de Dan Brown

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Terminei na semana passada o livro “Origem” de Dan Brown.

Desde cedo que sabia que uma das minhas leituras no período mais próximo do final do ano seria o novo livro de Dan Brown, visto que já era conhecimento que sairia no início de outubro.

Dos livros anteriores do autor o único que não li foi a “Fortaleza Digital”, e na minha opinião há de tudo: o muito bom “O Código Da Vinci” ao mau “O Símbolo Perdido”. Acho que neste último o autor terá acusado claramente a pressão do êxito do “Código Da Vinci”, algo que se compreendo, aliás.

No geral eu gosto da forma de escrita do autor, é clara, informativa e cria suspense. No entanto, no que diz respeito à parte informativa a “Origem” deixa um bocado a desejar, e não é preciso entrar na parte técnica do livro, basta a visão que nos é dada, em muitos momento, do país onde decorre a ação, Espanha. É uma visão em alguns momentos fantasista e pouco real. Fica por perceber porquê, se por desconhecimento se por outro motivo. Dan Brown tem muita informação, pelo que já li uma mais correta e verdadeira do que outra, mas tem muita informação e tenta misturar um conjunto de vetores: a origem da vida, religião contra ciência, inteligência artificial, etc.

Se olharmos para o livro com uma peça de entretenimento é bastante razoável e tem lá a maior parte dos ingredientes necessários para ser bem sucedido, a começar pelo marketing inicial e todo o suspense criado em torno do slogan “De onde vimos? Para onde vamos?”. Mas fica efetivamente aquém do que promete. Ainda muito longe do fim, na minha opinião, o desfecho torna-se previsível e, fica aquém do prometido. Dá a sensação de que havia ingredientes para fazer uma prato xpto e no final sai apenas um guisado que podia ter mais sabor. Repito, muito provavelmente porque são criadas ao leitor grandes expetativas.

Em abono da verdade também tenho de dizer não considero que o livro seja mau como li em algumas críticas. É um livro de entretenimento, não é uma obra-prima. É um livro a ler com a consciência prévia de que não é “O Código Da Vinci”, mas depois de estabelecer essa bitola tudo o que vier a seguir já se sabe que muito provavelmente fica abaixo. Mas é bem melhor do que muita coisa que se vê por ai.

 

Resumo:

Fiel ao seu estilo característico, Dan Brown, autor de O Código Da Vinci e Inferno, combina códigos, ciência, religião, história, arte e arquitetura no seu novo romance. Origem lança Robert Langdon, simbologista de Harvard, para a perigosa interseção das duas perguntas mais prementes da humanidade e para a estrondosa descoberta que responde a ambas. De onde vimos? Para onde vamos? O novo e espantosamente inventivo romance do autor de thrillers mais popular do mundo. Bilbau, Espanha. Robert Langdon, professor de simbologia e iconologia religiosa da Universidade de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbau para assistir a um grandioso anúncio: a revelação da descoberta que «mudará para sempre o rosto da ciência». O anfitrião dessa noite é Edmond Kirsch, bilionário e futurista de quarenta e dois anos, cujas espantosas invenções de alta tecnologia e audazes previsões fizeram dele uma figura de renome a nível global. Kirsch, um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, duas décadas antes, está prestes a revelar um incrível avanço científico… que irá responder a duas das perguntas mais fundamentais da existência humana. No início da noite, Langdon e várias centenas de outros convidados ficam fascinados com a apresentação tão original de Kirsch, e Langdon percebe que o anúncio do amigo será muito mais controverso do que ele imaginava. Mas aquela noite tão meticulosamente orquestrada não tardará a transformar-se num caos e a preciosa descoberta do futurista pode muito bem estar em vias de se perder para sempre. Em pleno turbilhão de emoções e face a um perigo iminente, Langdon tenta desesperadamente fugir de Bilbau. Tem ao seu lado Ambra Vidal, a elegante diretora do Guggenheim, que trabalhou com Kirsch na organização daquele provocador evento. Juntos, fogem para Barcelona, com a perigosa missão de localizar a palavra-passe que os ajudará a desvendar o segredo de Kirsch. Percorrendo os escuros meandros de história oculta e religião extremista, Langdon e Vidal têm de fugir de um inimigo atormentado que parece saber tudo e pode até estar de alguma forma relacionado com o Palácio Real de Espanha… e que fará qualquer coisa para silenciar para sempre Edmond Kirsch. Numa viagem marcada pela arte moderna e por símbolos enigmáticos, Langdon e Vidal vão descobrindo as pistas que acabarão por conduzi-los à chocante descoberta de Kirsch… e a uma verdade que até então nos tem escapado e nos deixará sem fôlego.

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