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Ministério dos Livros

Um blog sobre livros e seus derivados

Escritos do Baú do Ministério # 4

11.08.22

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Eu e os livros – post de 17 de janeiro de 2018

Tenho boas memórias da minha infância não posso dizer o contrário. Fui criado numa pequena aldeia do interior onde o dia a dia de uma criança variava entre a escola e o brincar na rua.

Os meus países são pessoas de trabalho, humildes, com a 4ª classe tirada em idade adulta que sempre fizeram das tripas coração para que o filho estudasse e tivesse uma vida melhor do que a deles, mas, compreensivelmente, os livros não eram algo abundante em casa.

O meu contacto com os livros começou, acredito eu, tarde e deveu-se a uma coisa chamada biblioteca itinerante. Foi aí que pela primeira vez, com os meus 8 ou 9 anos eu comecei a explorar livros. Os primeiros de que tenho mais memória foram os livros de "Uma Aventura" e “Os Cinco”, e aos poucos fui lendo outras histórias, das quais confesso não me consigo lembrar.

Lembro-me sim que a determinada altura, por volta dos meus 11, 12 lia tudo o que encontrava sobre o sobrenatural e sobre os mistérios da civilização.

Na escola fui sempre lendo o obrigatório, ou às vezes nem isso. Mal li os Maias, não li a Sibila, li isso sim muita banda desenhada, li alguns livros de adolescente que estavam disponíveis na Biblioteca lá da terra, mas pouco mais.

A leitura de forma mais séria começou (tarde) para mim apenas com a Universidade, e se houve ponto onde senti uma grande diferença para os meus colegas foi exatamente daquilo que eles já tinham lido e eu não. Foi o primeiro momento da minha vida onde senti efetivamente a importância dos livros na base do conhecimento. Apesar de já ler jornais e revista com frequência (comprava a lia semanalmente o Expresso e a Visão e numa determinada altura também o Independente) senti que me faltavam bases que só os livros me poderiam ter dado.

Sempre fui uma criança que gostava de ler, mas muito provavelmente andei a ler erradamente coisas que não acrescentavam muito. Não quer dizer que não as devesse ter lido, antes que devia ter complementado com outro tipo de leituras, mais a puxar para o conhecimento.

Hoje tento fazer duas coisas: ler o mais que posso sobre o que me interessa e o que me pode vir a ser útil, e leio, ou tento ler o que não li quando era mais novo, nomeadamente alguns clássicos de autores portugueses e estrangeiro e por outro lado tento incutir no meu filho o gosto pelos livros desde muito cedo. Uma coisa é certa, vive rodeado deles desde os primeiros dias de vida. Pode ser que ajude.