![0a.jpg 0a.jpg]()
Mais sobre o livro aqui
Já ouvi (e li) por diversas vezes opiniões de pessoas que consideram que quem escreve ficção científica, fantasia, ou, por exemplo, uma distopia, tem o trabalho facilitado porque pode criar a história de raiz, inventar e não tem de se preocupar muito com a relação com o a realidade. Devo dizer que não concordo e este livro vem confirmar isso mesmo.
Escrever uma distopia como “Autópsia” requer um grande conhecimento da realidade e, em particular o que ela, tem de pior no que toca ao ser humano.
Quando me enviou o livro o autor indicou-me desde logo o mesmo “se centra na indiferença humana perante os avisos da catástrofe ambiental do nosso planeta” e que era “uma sátira aos vícios da humanidade.” Eu referi-lhe que foi precisamente essa parte que mais me interessou.
Devo confessar que demorei um pouco a “entrar” no livro, mas por responsabilidade minha. O meu standard mental de distopia leva-me para um livro de linguagem mais direta, mais de ação e “Autópsia” vai além desse standard com o autor a utilizar uma linguagem mais elaborada e mais rica com o propósito (presumo eu) de conseguir realçar caraterísticas e sentimentos humanos.
Com o decorrer da leitura fica claro onde o autor quer chegar e, na minha opinião fá-lo com mestria. O lote de personagens é um género de Arca de Noé das caraterísticas humanas, boas e más, de Brandão a Wagner passando por Mateus. O enredo foi muito bem construído, em alguns momentos explorado até à exaustão, no que o ser humano tem de pior. Muito bem imaginado e contextualizado com muito português em pano de fundo. Está lá tudo, diria eu.
É curiosa ainda a relação que acabei por fazer entre e livro e um outro muito recente, “O Futuro da Humanidade”: o autor, Michio Kaku, defende que basicamente há um aspeto que pode condicionar todo o nosso futuro, e não é o desenvolvimento tecnológico, é a capacidade / incapacidade humana para evitar a autodestruição. “Autópsia” é também um relato sobre essa capacidade.
Em resumo trata-se de um livro muito bem conseguido, uma distopia que encontra todas as suas sementes no mundo que já temos hoje. Recomendo.
![5Estrelas.png 5Estrelas.png]()