Livros & Melões

No fim de semana passado, relativamente perto de casa, parei na beira da estrada junto a uma banca de venda de fruta itinerante para comprar um melão.
Parei o carro um pouco antes de chegar à banca, sem que o vendedor, sentado dentro da sua carrinha se tenha apercebido. Aproximei-me e só então ele deu conta da minha presença e eu dei conta que ele estava a ler um livro.
“Desculpe lá que nem o vi, isto hoje está fraco e eu estava aqui entretido na minha leitura”, argumentou o senhor. “Não tem mal, faz muito bem, é sinal que estava a gostar do que lia”, disse eu. “Sabe, eu leio o que calha. São quase sempre livros dos meus filhos, que eles muitas vezes compraram, ou que lhes ofereceram e que estão lá por casa. Muitos nunca foram abertos. Eu agarro num e trago. Preciso de ter a cabeça preenchida”. “Isso é muito bom”, afirmei eu do não conseguindo conter um sorriso. “Acho que sim... olhe e eu leio devagar, mas há semana em que leio dois livros”. “Isso não é bom, é muito bom!” voltei a referir.
Estamos a falar de um senhor na casa dos 60 e qualquer coisa anos, que toda a vida viveu da terra e que aprendeu a gostar de ler quando começou a ter mais tempo, já depois dos 50 anos (explicou-me ele). Estava a ler um livro de Nora Roberts, mas isso pouco importa.
Adorei o senhor e acabei por estar uns minutos à conversa. A conta do melão foram 2,80 €, paguei com uma nota de 5 € e disse-lhe o resto ficava para um fundo de livros. Agradeceu-me e disse-me que já tinha pedido à filha para lhe comprar “aquele sobre o Trump que tem uma capa toda vermelha com a cara dele”.
Foi um dos melhores momentos do meu fim de semana.
