Os inspetores da língua

Antes de mais gostaria de referir duas coisas:
- pedir desculpa às pessoas que aqui vem à procura de alguma coisa sobre livros porque hoje estas linhas são apenas sobre um derivado e não sobre livros em concreto.
- que esta a primeira e última vez que vou escrever sobre este assunto.
Através de alguns espaços que acompanho já me tinha deparado várias vezes com comentários de um tipo de pessoa muito específico, o inspetor da língua.
Ora ontem, em resultado do fluxo trazido pelo destaque do Sapo para o post “Livro – nem para roubar serve”, canhou-me a mim pela primeira vez receber neste modesto espaço a visita de alguns desses inspetores. Devo dizer que já HÁ algum tempo que aguardava por algo do género.
Os/as Inspetores (as) deram conta de um erro de escrita que, entretanto, corrigi. Onde devia estar “há mais de 5 anos” estava “à mais de 5 anos”, e desde logo se insurgiram no sentido em que, para alguém que gosta tanto de livros, este erro seria quase de lesa-pátria.
De uma forma geral tenho a registar que adoro mentes iluminadas que circulam pela internet como polícias da língua, traduzindo as suas ações em atos que são um reflexo das suas vidas certamente preenchidas e cheias de interesse...
É o mesmo tipo de sábio que, ao assistir a uma dissertação brilhante sobre física quântica, tem apenas a comentar jocosamente que a camisa do orador tinha um padrão horrível... nunca tem nada de positivo para referir.
Em suma, gostaria de agradecer os comentários e a lição de português sem a qual, provavelmente, ficaria para todo o sempre na ignorância relativamente à utilização de à e há...
Uma nota final para referir que o erro em causa foi um lapso, mas poderia não ter sido, porque, pasme-se, o Leitor por vezes dá erros. Poderão ser lapsos de escrita porque se escreveu e não houve tempo para rever o texto, mas também podem acontecer erros de facto porque este Leitor, contrariamente aos inspetores desta vida, não atingiu o nirvana da perfeição.
E para quem depois possa vir dizer “eu só alertei para poder corrigi”, não, não é disso que estamos a falar. Se eu quiser alertar alguém (e por princípio não o faço porque não dou relevância) faço-o de forma a informar/alertar para a incorreção, ser possível de forma privada, e apenas com pessoas com quem tivesse algum grau de partilha, nunca num sentido de pseudo-superioridade como a que referi acima.
O meu muito obrigado a todos os que chegaram a esta linha e são amantes de livros e não inspetores da língua. Voltem sempre! Amanhã há mais... sobre livros!
