Leitura - "Jerusalém" de Gonçalo M. Tavares

Terminei o livro “Jerusalém” de Gonçalo M. Tavares.
Confesso que nos últimos tempos este é o livro sobre o qual tenho mais dificuldades em escrever.
Vamos por partes. O livro é bom, diria muito bom. Do ponto de vista de construção, de criatividade. O meu problema é que, considerando a qualidade identificada, eu acho que deveria ter gostado mais do livro do que gostei.
O livro tem com pano de fundo a loucura e a razão, e gira à volta de um conjunto limitado de personagens cujos destinos de vão cruzar numa única noite, ainda que esta seja o resultado de um longo percurso.
É possível que o facto de o livro ter muito de loucura tenha contribuído para uma sensação de algum desconforto, ou mesmo de incapacidade de compreensão da densidade que o autor pretendeu dar. Talvez ainda não fosse este o melhor momento para ler o livro.
É ainda possível que a forma de escrita do autor, associado ao tema, não me tenha conseguido cativar completamente. Não sei ao certo.
Em resumo: eu gostei do livro sem o adorar, no entanto, fica a vontade de voltar a ler mais alguma coisa do autor, num registo diferente e como forma de fazer a prova dos nove.
Bem sei que esta opinião não é muito politicamente correta e que as pessoas normalmente entendem toda a dimensão que os grandes autores pretendem transmitir (ou de outra forma podem ser acusas de ignorantes). Neste caso eu não atingi esse nível. Vou voltar a tentar um dia destes.
