Leitura - "Como morrem as democracias” de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt

Há livros e livros, é uma verdade, diria eu, universal. É uma expressão que basicamente quer dizer que há livros e que depois existem “os livros”, aqueles que estão para além dos que gostamos. Que nos tocam ou nos ensinam verdadeiramente alguma coisa de substancial. Eu não distingo entre uma coisa e outra porque para mim são duas formas de me deixarem uma marca.
O livro que terminei ontem “Como morrem as democracias” de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, é caso desses casos. Um livro que me ensinou alguma coisa de substancial, que eu não sabia, que eu nunca me tinha apercebido. Foi uma injeção de conhecimento.
A própria capa do livro tem a melhor descrição possível sobre o que podemos vamos encontrar “o livro a ler sobre o atual estado da política norte-americana”. Inteiramente verdadeira, diga.se de passagem.
Para quem já se perguntou várias vezes sobre como foi possível Donald Trump chegar a presidente dos EUA, encontra neste livro uma resposta que vai muito mais a fundo do que aquilo que nos é dado a conhecer nas notícias, mesmo aqueles que tentam ir um pouco mais além.
Os autores, dois académicos de Harvard apresenta-nos uma análise detalhada da política americana e do declínio verificado na sua democracia nas últimas décadas, utilizando outros exemplos verificados pelo mundo, em particular na América Latina, onde a democracia também morreu, em resultado de vários tipos de situações.
Confesso que foi para mim assustador perceber que a realidade americana é em muito semelhante ao que acontece em países do terceiro mundo. É, ao mesmo tempo, chocante e clarificador de algumas situações que no passado tinha ficado sem grande explicação. Por outro lado, é também desolador perceber que os grandes EUA são, na prática, também muito pequenos.
Em resumo trata-se de um livro indispensável para quem gosta de perceber melhor as grandes questões do nosso tempo, o mundo real em que vivemos, e os contornos de um futuro que pode ser perigoso. Escrito de forma clara, precisa e muito bem defendida é um livro a não perder. Cinco estrelas.
